Um sucesso marcante para a primeira edição da Escola Africana de Avaliação (ASE)

Um novo capítulo na história do desenvolvimento do continente foi escrito no Instituto de Estudos Africanos da Universidade do Gana, entre 24 e 28 de novembro, quando a primeira Escola Africana de Avaliação (ASE) reuniu com sucesso uma nova geração de profissionais com o objetivo de profissionalizar a prática da avaliação em África.

A ASE foi concebida para colmatar uma lacuna crítica: embora a procura por políticas baseadas em dados concretos tenha aumentado, a formação formal e estruturada em avaliação continua a ser escassa em todo o continente.

A missão da escola é ir além da «satisfação dos doadores» e, em vez disso, contribuir para a boa governação, dotando os profissionais africanos das competências necessárias para conduzir avaliações «por e para os africanos». Esta iniciativa apoia diretamente a abordagem «Made in Africa Evaluation» (MAE), garantindo que normas internacionais rigorosas se enraízem nas realidades culturais e sociais africanas.

Uma semana de formação especializada intensiva e de alto nível

A edição de 2025 ofereceu cinco dias de aprendizagem imersiva, com percursos temáticos facilitados por instituições de renome mundial. Estes módulos foram concebidos para serem imediatamente aplicáveis aos complexos desafios que as administrações públicas e as ONG africanas enfrentam.

1. Avaliação ao Serviço da Equidade

Facilitado pela CLEAR África Anglófona, este módulo desafiou os participantes a encarar a avaliação como uma ferramenta para a justiça social. Ao explorar abordagens de «Avaliação Equitativa», os profissionais aprenderam a abordar as desigualdades estruturais — económicas, políticas e sociais — que persistem apesar de décadas de intervenções de desenvolvimento.

2. Avaliação de Impacto: Teoria e Aplicações

Liderado pelo American Institutes for Research (AIR), este módulo técnico centrou-se no «como» medir o verdadeiro impacto dos programas. Os participantes participaram em sessões práticas de STATA, dominando desenhos experimentais, emparelhamento e desenhos de descontinuidade para garantir que os projetos de desenvolvimento africanos sejam apoiados pelo mais alto nível de evidência estatística.

3. M&A na Era da Inteligência Artificial

A CLEAR África Francófona liderou um módulo voltado para o futuro sobre a digitalização dos sistemas de M&A. No contexto da transição para o orçamento por programas, os participantes exploraram como a IA e os painéis digitais podem modernizar a administração pública, passando da recolha manual e fragmentada de dados para sistemas interoperáveis em tempo real.

4. Métodos Mistos em Ação

A Escola Nacional de Administração Pública (ENAP, Quebec) ministrou um curso equilibrado sobre a integração de técnicas qualitativas e quantitativas. Este módulo enfatizou a importância de entrar no terreno com ferramentas adequadas — tais como inquéritos e observações — para garantir que as conclusões sejam credíveis e contextualmente relevantes.

5. Percursos especializados para jovens e crianças

Com o apoio da UNICEF e de outros parceiros, o programa também enfatizou avaliações temáticas centradas nos setores sociais, garantindo que as necessidades das populações mais vulneráveis de África permaneçam no centro do processo de avaliação.

A escola deu origem a uma rede pan-africana de avaliadores que continuarão a partilhar recursos, dados e metodologias muito depois da cerimónia de encerramento, e o sucesso desta primeira edição abre caminho para que o Secretariado da AfrEA e os seus parceiros traçem um roteiro claro para o futuro:

  1. Anualização: A ASE tornar-se-á um evento anual permanente, para garantir um fluxo consistente de talentos em avaliação.
  2. Evolução temática: As futuras edições irão adaptar-se às prioridades continentais emergentes, tais como a avaliação das alterações climáticas e a integração contínua da IA na governação.
  3. Financiamento institucionalizado: Transição para um modelo sustentável com o apoio de governos nacionais e parceiros internacionais para garantir que a escola permaneça acessível a Jovens e Novos Avaliadores (YEEs).

«A avaliação é o pulso do desenvolvimento. Através da ASE, estamos a garantir que o coração de África bate com precisão, equidade e excelência.»

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